Política nível 1

janeiro 22, 2008

Encarem os fatos citados como atinentes à atualidade, já que este texto foi escrito há alguns meses.

Estamos cansados de nos deparar com opiniões tristes e negativistas a respeito do Brasil a nível de economia e política, tanto nacional quanto internacional. Qual o problema do Brasil?
Quem nunca se perguntou porque o Brasil não chega nunca em um nível de desenvolvimento razoável? Estamos sempre nos piores índices de desenvolvimento, em alguns ganhando apenas de países com menos de 1/10 do nosso potencial. Somos um exemplo vivo do fiasco histórico chamado de “democracia”. Um sistema de governo aonde quem, teoricamente, deveria governar é o povo, pois é ele quem elege os políticos.

Ou seja, a idéia central contemporânea seria: independentemente do partido político, o que faz um país ser grande é a união e o esforço do seu povo, que o constrói. O poder colocado nas mãos do povo. Dessa afirmação eu tiro, basicamente, duas perguntas, que considero fundamentais para a problematização do tema:

1. Encaramos o voto como exercício máximo do tal poder de governar. Sou só eu, ou alguém mais compartilha do meu pensamento ‘eu-não-me-sinto-nada-especial-teclando-na-urna-eletrônica’ ?

2. Você, no auge da qualidade de realista, entregaria o futuro governamental de um dos países mais promissores do mundo ao povo brasileiro (encarando o voto como representação de poder de governar…o que é uma piada, mas é o que existe como verdade no mundo atual)?

Sem querer entrar no mérito da necessidade de democracia, ou da substituição desta, o principal a se salientar sobre o assunto é o fato de que a prática do sistema de governo que adotamos não corresponde em nada com a teoria que nos é ensinada.

Nós elegemos políticos que transformaram o Brasil nesse puteiro? Alguém acredita que a culpa seja dos presidentes da República?

Só pra situar quem esteja lendo, existem algumas insanidades em nossa política e legislação que eu tenho certeza que o povo em si não escolheu, nem tampouco concorda. Em países de visão, a economia primária é vista como alicerce administrativo da nação, razão pela qual os governos se esforçam em subsidiá-la. Nestes países, o governo protege o mercado interno da entrada de economia secundária. Nestes países, a educação tecno-científica é valorizada ao extremo e aplicada em todos os setores. Ainda nestes países, são dados incentivos ao empresários, para garantir a geração de empregos, bem como se investe nas universidades biológicas para a constituição de um corpo forte na saude pública. Na parte dos impostos, estes não ultrapassam o que se poderia considerar como razoável para o suporte oferecido pelo governo.

Já no nosso querido Brasil, a economia primária é taxada, se cobram impostos incapazes de desestimulação ao consumo de produtos estrangeiros, mostrando subjugo à globalização no seu aspecto negativo. Ao invés de investimento na educação tecno-científica, gastamos nosso capital importando tecnologia, taxamos abusivamente os empregadores e os colocamos em posição inferior na relação empregado-empregador, obrigando os empresários a agirem marginalmente à lei, ou fora dela para livrarem-se dos encargos abusivos. Na saúde, teima em implantar o Sistema Único de Saúde em hospitais privados. Já nos impostos….bom, tá todo mundo careca de saber que o brasileiro trabalha, em média, 5 meses do ano só para o pagamento de impostos.

Aí nos perguntamos: meu, fazendo essa lambança toda, deve sobrar dinheiro pra caralho né? Então cadê a porra da grana mermão?

Ah sim, pra isso, basta entender uma última comparação: nos tais países de visão avançada e desenvolvimento notável, o maior salário a que um político pode alcançar é equivalente a 10 vezes o valor do salário mínimo vigente, enquanto no nosso Brasilzão já foram registrados casos de políticos(?) com salários equivalentes a 390 vezes o valor do salário mínimo da época.

Tá, esse quadro de safadeza não é nada de novo, eu sei. Enumerar problemas é fácil, mas ninguém sugere uma proposta de solução razoável ou concreta.

Não que isso mudasse o rumo do país, mas no ano passado, realizamos uma manifestação para receber atenção da mídia local, com o fim de expressar indignação contra a absolvição do Renan Calheiros naquela chafurdada…foi organizada por um professor universitário da Unisantos, com uma proposta de divulgar alguns pontos sobre a natureza constitucional do problema..eeeeee..adivinha quantas pessoas apareceram??
nem 200…..

Mas eu vi todo mundo xingando o Lula….ignorando o fato de que normas constitucionais são de hierarquia máxima…ou seja, o Lula não poderia fazer nada, de fato, uma vez que a maneira de julgamento é disposta na Carta Magna.

Claro que a idéia da manifestação não objetivava a reconsideração do julgamento, mas sim esclarecer o ocorrido, para que todos tenham mais noção do que deve ser combatido. Não tanto o poder Executivo.

Justamente por isso a segunda pergunta lá de cima: esse povo sabe o que faz? Sem a pretensão de ofender, muitos dos nossos seriam considerados incapazes, caso o exercício do poder de governar fosse analisado mais de perto, e exatamente por essa tal alienação sistemática que impera em nossa população, não se pode exigir tanto do voto como instituto de representação do tal poder do povo.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.