Corrompido por minhas próprias conquistas individuais encontro-me incitado a responder como posso ter chego até tão baixo ponto. Hoje em dia não é raro nos depararmos com falsas promessas de felicidade, como se ela fosse um conceito aproveitável a todas as pessoas de igual maneira. A mais comum é a busca da felicidade na figura de um companheiro para a vida. Muito se especula acerca da existência de almas gêmeas, de amor eterno, entre outros, sem dar, de fato, a devida importância à aceitação dessas propostas. Tal aceitação se mostra nociva a mentes despreparadas. Quanto sofrimento seria evitado se deixássemos de depositar nossas esperanças de felicidade plena na pessoa de um semelhante? Diversas fatalidades decorrentes de desilusões amorosas que poderiam ser evitadas se atentássemos ao fato de que felicidade é um problema individual. E, principalmente, tempo de vida perdido, e por vezes desperdiçado. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz. De fato nunca somos tão miseráveis como supomos, mas por outro lado nunca chegamos a ser tão felizes como havíamos aguardado em nossas expectativas.

A felicidade é para quem basta a si próprio. Sem motivação específica, sem dependência de fatores externos, somente a harmonia e serenidade de uma orientação positiva. Sem chance de sucesso procuraremos a felicidade em ambiente externo, fora de nós mesmos, enquanto possuímos dentro de nós a verdadeira fonte de plenitude. A reposta é simples, mas que justamente por tanta simplicidade, acaba por tornar-se duvidosa. Meça suas possibilidades, e é garantido que a sua felicidade está dentro deste raio de alcance, mas sem esquecer que por se tratar de um sentimento simples, podemos acabar deixando-a partir por não enteder sua simplicidade e conteúdo. Desejamos a felicidade e a liberdade com tanta intensidade e não percebemos que elas se encontram dentro de nós… pense que as tens, e assim as terá. Age como se tuas fossem, e tuas serão!
Normalmente confundimos o alcance de metas, a busca pela perfeição e conquistas próprias com a felicidade. Erroneamente, a bem dizer. São coisas diferentes, em muitas vezes opostas, mas que podem ser conjugadas em uma vida sadia.
Tornar-se feliz: será esse o objetivo certo de um caminho que, muitas vezes, nos faz infelizes? Buscar sucesso profissional, amoroso, sendo que cada um desses é meta final de um árduo e trabalhoso caminho? Aqui, acho que a necessidade de simplificação e/ou conceituação que o ser humano possui responde por uma grande parte da confusão. Quem nunca ‘simplesmente acordou feliz’, sem grandes explicações? Será comparável ao sentimento fruto de alcance de um determinado objetivo? E mais, por terem origens tão distintas, poderão (ou deverão) ser encaixados no mesmo significado?

O que eu realmente vejo hoje é que, por complicações ocasionadas pelo saber demais, dificultamos a compreensão de certos sentimentos, tornando-os, de certa forma, complicados e de difícil obtenção. Ora, se estamos tão confusos ao ponto de não conseguimos encontrar nossa própria felicidade dentro de si, como esperar que encontremos-na na figura ou âmago de outra pessoa? Pois é essa uma resposta que também atine à nossa natureza. Seres imperfeitos, com a falsa objetividade da procura da perfeição, quando na verdade nosso status de imperfeitos é o que nos torna dignos de possuir existência. Tal procura é uma farsa, ainda que a tenhamos como essencial.
Porém,não entendas que tal procura é em vão, pois esta é de extrema necessidade ao auto entendimento. O único jeito de atingir tal conhecimento é ignorando-o, pois trata-se de uma realidade que não pode ser procurada e que aparece apenas aos mais distantes dela.

O ponto é que tal ideal não deve ser procurado, nem se esconde….por outro lado, já existe e sempre existiu, e só se revela aos que se livram do empecilho obstáculo à sua aparição, qual seja, a busca pela felicidade.

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Vai vendo…

setembro 3, 2008

Inevitavelmente, a questão sexualidade é entranhada no bojo do conceito de modernidade, tendo muito em comum quando se trata de analisar o grau de evolução e desprendimento do ser humano aos conceitos já tidos como ultrapassados. Comumente definimos determinada pessoa como moderna pelo simples fato desta aceitar o ser humano como uma espécie peculiar, a parte de todo o resto do mundo animal, e que, justamente por esta essência única, não estaria sujeito às regras naturais que os outros obedecem.

Assim, tentamos igualar os sexos, tendo como ideal futuro uma exclusão das diferenças essenciais de cada um e abandono das características para um agrupamento de desiguais. Da mesma forma, separamos de um lado os antiquados homofóbicos, com seus discursos de “natureza criou homem com pênis e mulher com vagina por uma razão….sair desse limiar é atitude de uma aberração, algo inconcebível”, e do outro os mentes-abertas, que, talvez tenham uma conclusão mais acertada, mas que por sua linha de raciocínio falha não merece mais crédito do que os anteriormente citados.

Quanto à igualdade entre sexos, um pronunciamento final ainda não é possível, nem necessário, para não dizer perigoso pelos efeitos de uma possível desestimulação. Vastas consequências estão emergindo com o decorrer do tempo, como a desvalorização da própria mulher e dos sentimentos, que por sua banalização estão passando a ser desacreditados.

No entanto, alguns podem dizer que tais efeitos são apenas coincidentes com os movimentos sexistas que lutam por igualdade. Porém, igualdade não é a palavra correta. O certo é usarmos a palavra respeito para tanto. Homens e mulheres devem ser encarados como seres humanos, sem atribuições específicas, como eventualmente estamos acostumados a entitular: isso é tarefa de homem, aquilo é tarefa de mulher. A mulher é um ser criado para complementar o homem, e não para competir com ele. Daí mostra-se a necessidade de respeito da parte feminina também.

E neste meio ainda existe a questão dos homossexuais….talvez mais complexa ainda do que a anterior.

Quem me conhece, sabe que sempre fui contra opções sexuais. Acreditava que, neste campo não existia espaço para escolhas. Mas, hoje em dia, tenho pensado melhor a respeito, e talvez nossas posições já não se mostrem mais tão acertadas.

A principal sustentação da doutrina homofóbica é o respeito à natureza, e a finalidade precípua do sexo nos seres vivos, qual seja, a reprodução. Nesta mão, seria inaceitável o ser humano praticar a relação sexual com um indivíduo do mesmo sexo, pois a relação oriunda deste casal é incapaz de gerar prole. Os mais rápidos já captaram uma certa contradição neste pensamento, mas de qualquer forma eu vou explicar: desde quando os homofóbicos só praticam atividades sexuais com a finalidade de procriar? E desde quando nós, heterossexuais, praticamos atividades sexuais com o intuito único de procriação? Se fossemos pensar assim, o sexo por prazer também seria uma aberração, inaceitável em nossa sociedade.

Ocorre que, na espécie humana, o sexo possui mais papéis do que a reprodução, pura e simplesmente. Se o intuito da prática é a busca pelo prazer, que diferença faz a preferência sexual? Gostando de homem ou de mulher, estamos todos no mesmo barco. Aliás, na grande maioria dos casos, evitamos a finalidade precípua da cópula ( e fugimos de filhos como o diabo foge da cruz), com proteção, campanha pela redução da natalidade, entre outros.

Ainda assim, se o pensamento for adiante, talvez imaginemos que, quando um casal homossexual resolver constituir uma família com prole, precisariam de outro indivíduo, o que descaracterizaria a família, a evolução de pai pra filho. Podem surgir críticas a essa instituição familiar, por confusão da figura paterna, a falta de relação da mãe com o filho no período pós parto, esse tipo de coisa.

Mas caracteriza hipocrisia uma sociedade onde se incentiva a criação de relação paternal por meio de adoção e ao mesmo tempo se critica a família com progenitores de mesmo sexo. Ou seja, atualmente utilizamos o critério que mais for conveniente para a permanência do dogmatismo, o que, eu, particularmente, tento ao máximo evitar.

Se pararmos para pensar, o cotidiano em que vivemos é exclusivamente decorrente de um faceta do intelecto humano, que, na função de projetar objetivos à nossa vida, acaba por falhar miseravelmente, deixando-nos com almejos que, invariavelmente, encontram como epicentro o nosso próprio umbigo. Nossos sonhos pessoais, finalidades paras as quais lutamos, tudo se torna tão medíocre se comparado ao restante do universo (não confunda universo como Universo, escrito com maiúscula), que a única conclusão sensata a que podemos chegar é que o ser humano não passa de mais uma fase da natureza, a ser superada na hora certa.
Houve eternidades em que nossa espécie não existia, e proporcionalmente à toda extensão temporal da Terra, o ser humando tem tão pouca importância construtiva que facilmente será esquecido assim que enterrado.
O intelecto não possui nenhuma missão mais vasta que pudesse conduzir para o além vida. Muito pelo contrário, ele é primordialmente humano, e assim sendo, somente o seu possuidor e genitor o toma de forma tão patética. Seu efeito mais geral é engano – mas mesmo os efeitos mais particulares trazem em si algo do mesmo caráter.
Na distribuição natural de dotes, o intelecto, como um meio para a conservação das espécies, desdobra suas forças mestras no que chamamos de disfarce; pois é este o meio pelo qual os indivíduos mais fracos, menos robustos, se conservam, aqueles aos quais está vedado travar uma luta pela existência com chifres ou presas aguçadas.
Atualmente em nossa espécie, tal farsa enquanto arte do disfarce chega ao seu ápice; nesta fase o engano, o lisonjear, mentir e ludibriar, a dissimulação, em suma, o constante bater de asas em torno dessa única chama que é a vaidade, é a tal ponto a regra e a lei, que quase nada é mais inconcebível do que como pode aparecer entre os homens um honesto e puro impulso à verdade.
O devaneio ocorre de maneira tão robusta e sobrepujante, que nossos olhos apenas resvalam às tontas pela superfície das coisas, nos sendo possível apenas reconhecer formas, sensações que, de forma alguma, nos levam perto da verdade. No entanto, o homem, do topo de seu egocentrismo, não se contenta com a realidade de que não possui as verdades, e assim soluciona sua questão comprando eternamente ilusões por verdades.
Nossos próprios idiomas são o reflexo de nossa visão do mundo, realidades calcadas no egocentrismo do homem, que cria prefixos e designações metafóricas de como o homem enxerga o mundo, sendo um exemplo a cobra, que em diversas línguas tem sua desginação atual determinada pelo fato de se enrolar. Um estímulo nervoso, primeiramente trasnposto em uma imagem.
Acreditamos saber algo das coisas, porém não possuimos nada mais do que metáforas das coisas, que não correspondem às entidades de origem.
Pensemos ainda, particularmente, na formação dos conceitos. Estes, extraordinariamente, moldam-se na igualação do desigual, pois toda palavra torna-se conceito justamente quando não deve servir, como recordação, para a vivência primitiva, completamente individualizada e única, à qual deve seu surgimento, mas ao mesmo tempo tem de convir a um sem número de casos, mais ou menos semelhantes, isto é, tomados rigorosamente a casos desiguais.
Assim como é certo que um animal nunca é inteiramente igual a outro, é certo que o conceito de animal é formado por um arbitrário abandono dessas diferenças, por um esquecer-se do que é distintivo, e desperta então a representação, como se na natureza ou além dela, existisse uma espécie de “animal primordial”, um animal modelo, segundo o qual todos os outros animais fossem esculpidos, traçados, pintados e frisados, mas sempre por mãos criadoras extremamente inábeis, que por sua incapacidade não conseguem que um exemplar saia correto e fidedigno como cópia fiel do primordial.
Dizemos que um homem é honesto por qual motivo? Resposta comum seria: por sua honestidade! Ou seja, o animal é a causa dos animais, bem como a honestidade é a causa da honestidade. O certo é que não sabemos nada sobre a qualidade essencial que se chama honestidade. Mas sabemos sim, de numerosas ações individualizadas, portanto desiguais, que igualamos pelo abandono do desigual e designamos, após isso, de ações honestas.
A desconsideração do individual e efetivo nos dá o conceito, assim como nos dá também a forma, enquanto a natureza não conhece as formas nem os conceitos.
Enquanto nos encaramos grandiosos e sábios, a natureza nos esnoba com a desnecessidade de nosso conhecimento, e o nosso maior orgulho, a dizer o intelecto, cada vez mais se mostra contrário à nossa idéia de razão como diferencial supremo, pois tudo que diferencia o homem do restante das espécies é a capacidade e aptidão de liquefazer a metáfora intuitiva em um esquema, dissolvendo imagem em um conceito.

Totalmente tapeado. Acho que é assim que a grande maioria de nós se sente ao lidar com qualquer serviço público nacional. O que muitas vezes a indignação nos esconde é que todos nós já sabemos o lamaçal que é o Brasil, mas nunca deixamos de nos surpreender com mais ladroagens e safadezas em geral vivenciadas dia a dia.

Conhecemos burocracia como sendo um conceito administrativo, caracterizado principalmente, por um sistema hierárquico, com alta divisão de responsabilidade, onde seus membros executam invariavelmente regras e procedimentos padrões, como engrenagens de uma máquina. É também usado com sentido pejorativo, significando uma administração com muitas divisões, regras e procedimentos redundantes, desnecessárias ao funcionamento do sistema.

Por mais negativo que tal conceito possa parecer, eu daria graças se por um acaso a sua prática fizesse jus à teoria.

Como é de praxe, vou exemplificar o porquê baseado em um fato que aconteceu comigo nesta última semana.

Formatura do Cássio. Sexta, dia 18 de janeiro de 2008. Eu não aderi à formatura, justamente por não considerar justa a distribuição de tarefas e bônus dados à comissão da classe. Por esse motivo, comprei o convite e fui como convidado.

Como em diversas outras partes da minha vida, a minha escolha profissional é um grande ironia sem sentido….eu me formei em direito, e ODEIO terno e gravata.

Aí o grande malandrão pensou: Meo, eu nem sou formando, vou sem terno. Dessa forma fui vestido de camisa e calça e pronto. Não durou muito, pois assim que cheguei na casa do Lucas já fui convencido a pegar emprestado um paletó.

Na hora até me pareceu uma boa idéia…ia deixar tudo no paletó e não ficaria com os bolsos cheios…conclusão: roubaram a minha carteira quando eu não estava de olho no paletó.

Aí parto pra tirar a 2ª via dos documentos, principalmente da CNH. Assim, sou surpreendido com a pergunta do atendente “super-simpático” do Detran/Ciretran: me diz aí o n° da tua habilitação! Eu digo: amigo, eu não sei nem a data do meu nascimento de cor…vou saber aquele número enorme?

Conclusão n° 02: o Detran tem um sistema integrado, ou seja, você não assinou direto na sua carteira de motorista. Tanto assinatura, quanto foto e dados são escaneados e/ou armazenados no banco de dados do Detran. Mas para que eles tenham acesso a estes dados, se faz necessário o pagamento de uma taxa no banco no valor de R$ 17.00, mais uma requisição formal com o comprovante de pagamento da taxa para que eles movimentem os seus braços fétidos e gordos até a porra de computador 486 que eles têm na repartição e descubram o seu número de habilitação, no prazo de 5 dias úteis. E ainda exigem que você traga nova foto 3×4 e assine tudo novamente!

Achei uma puta sacanagem, mas não dá pra discutir com a desculpa “só estou cumprindo ordens”….fazer o quê né?

Fui até a agência bancária, pois fui informado pela vaca gorda do Detran que esta taxa era feita mediante apresentação do CPF. A atendente do banco, quase tão estúpida quanto a do Detran, me informou que toda taxa paga tinha um código ou DARE, e que para ser recolhida o pagador deveria informar o valor exato e o código.

Conclusão n.° 03: fui até o despachante ao lado para saber o que, na verdade, eu queria (queria nada….) pagar.

Aí subi num local escroto, todo ruindo, pra ser atendido por um senhor careca, daqueles com biotipo exclusivo de Rei Momo Heptacampeão, mas que me atendeu de forma muito simpática.

Eu digo: desculpe atrapalhar sr., mas eu fui até o banco por indicação de uma funcionária do Detran para recolher uma taxa de pesquisa de CNH, mas não sei o código de recolhimento…o sr. Poderia me informar?

Ele diz: pra que você quer saber o n° da sua CNH?

Eu digo: pra poder solicitar a 2ª via…eu fui roubado.

Ele diz: ahh…peraí que eu já resolvo o seu problema…me diz o seu CPF.

Eu dei a ele meu CPF e em menos de 10 segundos eu tinha em mãos um impresso com todas as informações da minha CNH, uma pesquisa muito semelhante à feita pelos funcionários “super-eficientes” do Detran.

É o que todos nós chamamos de burocracia né? Paga taxa ali, recolhe aqui, volta pra autenticar ali, depois me traz, protocola, pra depois voltar e você corre até a agência central e recolhe a taxa tal e me traz de volta…certo?

Somos enganados desde sempre, e da minha parte já até desconfio da utilização da palavra burocracia. Uma palavra de difícil compreensão literal, calcada sobre princípios governamentais, com embasamento teórico desde os primórdios do comunismo, desenvolvida como conceito na extinta União Soviética, pra ser usada no Brasil como sinônimo de preguiça dos funcionários e ganância dos patrões?? Só pode ser golpe o fato dela ter sido imposta justamente pra designar as movimentações dos serviços públicos. Onde se dizem burocracia eu entendo roubo. Intencionalmente chamaram assim pra que esses pequenos delitos praticados por órgãos públicos não sejam alvo de atenção.

Alguém consegue um sinônimo melhor do que roubo pra burocracia??

O sistema é do Detran, mas o despachante, particular, que não me deve nada, nem mesmo um tratamento digno, é quem tem acesso? Com apenas um clique??? E não me cobrou nada por isso, nem a impressão que ele teve que fazer para que eu pudesse levar os dados?

Ou seja, um milhão de vezes mais eficaz do que o próprio órgão que oferece o serviço…e eu me pergunto: até onde isso é regramento e desde onde começa a safadeza?

A besta

janeiro 22, 2008

A principal idéia atinente às discussões sobre religião é a subjetividade e fragilidade do tema, levando-se em consideração a condição sobrenatural das prerrogativas. Sendo assim, parece-nos razoável que qualquer indivíduo, independente do grau de instrução e capacidade mental, seja considerado apto a opinar e doutrinar a respeito do assunto, ainda que seja no tão conhecido ponto de vista “eu acredito porque eu sinto Deus e nós nos amamos, assim, sem mais nem menos”.

O apelo primeiro só consiste na análise minuciosa do descrito. Deus, eles dizem. Do quê, eu pergunto. De onde surgiu essa idéia de um Deus completamente humanizado, em feições, atribuições, qualidades e características gerais? A referência bibliográfica mais respeitada por todos os religiosos, com certeza é a Bíblia Sagrada, que serviu e serve de guia didático para o aprendizado dos dogmas religiosos.

Não é preciso ser nenhum gênio para entender o propósito da Bíblia. É óbvio que nunca existiu um paraíso com Adão e uma serpente falante. É óbvio que não existiu arca nenhuma com um casal de cada espécie animal existente. A Bíblia é uma reunião de histórias objetivamente metafóricas, buscando incutir a “moral da história” na cabeça de cada leitor.

São somente contos, que, verdadeiramente, escondem em seu bojo uma lição de valores morais e aprendizado de vida em sociedade. Aliás, neste lado cumpre a todos, penso eu, dar o devido crédito a essa conquista, pois conhecemos o instinto predador do ser humano, e quão perigoso este pode se tornar.

Tendo tais considerações tecidas, o que passo a falar é sobre a ignorância do fanatismo. Muitos fiéis passando os olhos por cima da Bíblia e gritando aleluia, mas sem entender o que estão lendo.

Eu, particularmente, me considero ateu, mas por incrível que possa parecer, acredito na Bíblia. Acredito que esta subexista sem a religião, e vice-versa. Estas escrituras, como código moral tem valor incalculável, e suas histórias nos abrem os olhos até os dias de hoje.

Em uma citação em especial “As duas grandes bestas”, menos conhecida, vou tentar demonstrar sobre o que estou falando:

No capítulo 13 do Livro de Apocalipse, encontramos descritas duas grandes bestas. A primeira sai do mar (Apocalipse 13:1); a segunda, da terra (Apocalipse 13:11). À primeira, foi-lhe dado poder para pelejar “contra os santos e os vencer” (Apocalipse 13:7). E a segunda proíbe que alguém possa comprar ou vender se não tiver a marca da besta. (Apocalipse 13:17). Para você compreender melhor, veja como João descreve a primeira besta:

“Vi emergir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e, sobre os chifres, dez diademas, e sobre as cabeças, nomes de blasfêmias. A besta que vi era semelhante ao leopardo, com os pés como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade. Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda a Terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram a besta, dizendo: quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela? Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e autoridade para agir quarenta e dois meses. E abriu a sua boca em blasfêmia contra Deus, para Lhe difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no Céu. Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Você percebe, pelo que acaba de ler, que essa besta tem as seguintes características:

É uma entidade detentora de um poder religioso e recebe adoração dos homens. “Adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida”
No entanto, o texto lhe aufere características políticas, ou seja, é um poder político de alcance mundial. “Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação.”
Num dado momento da História, perdeu o poder. Mas hoje impõe respeito e admiração mundial. “Então, vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada.”
Blasfema contra Deus. “Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias.”
Persegue o povo de Deus. “Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os vencesse.”
Seu poder dura 42 meses, que, em linguagem profética, equivale a 1260 anos (42 x 30 = 1260). “Foi-lhe dada autoridade para agir 42 meses.” Esta linguagem profética, pra quem não sabe, faz parte de um Diagrama Profético, criado por Gabriel, em tese, para distinguir o tempo descrito em textos do tempo descrito em profecias. Segundo este, cada dia em linguagem profética equivale a um ano.

Agora pense comigo. Você conhece algum poder que, além de ser religioso, tem uma influência política poderosa, e cuja autoridade se faz sentir em cada tribo, povo, língua e nação?
Conhece você algum poder religioso que, além de ter essa primeira característica, perdeu, em algum momento da História, a força política e depois a recuperou? O texto bíblico diz que “uma das cabeças foi golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada, e toda a Terra se maravilhou, seguindo a besta”.
Onde você pode ver um poder religioso respeitado e admirado por reis, príncipes, presidentes da República e ministros de Estado?
Porventura tem esse poder blasfemado contra Deus, ou, nas palavras de Daniel, “tentou mudar os tempos e a lei” (Daniel 7:25)? Procure em sua Bíblia a redação da lei de Deus, tal como Ele a entregou em Êxodo 20, e compare-a com a lei que os seres humanos hoje conhecem. Depois responda: Quem mudou essa lei?
Tem esse poder religioso perseguido pessoas, em algum momento da História, porque elas preferiam obedecer à Bíblia e não à ele mesmo, como instituição?

Não sei a conclusão de cada um, nem quero forçar entendimento, mas pra mim é claro que esta besta é o que viríamos a chamar de Igreja, cada uma da sua religião.

O último verso de Apocalipse 13, diz literalmente: “Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é o número de um homem; ora, esse número é seiscentos e sessenta e seis.”

Esse misterioso número – seiscentos e sessenta e seis – tem criado muito tipo de especulação entre os estudiosos da Bíblia. Para conhecer o significado desse número, é preciso conhecer algo de numerologia bíblica. Diferentemente da numerologia ocultista, que concede aos números poder para determinar o rumo e destino das pessoas e coisas, a numerologia bíblica é apenas simbólica.
O número sete, por exemplo, é símbolo de perfeição. Impressiona-nos o fato de que Deus abençoou o sétimo dia da semana e o reservou como sagrado, inteiramente pertencente a Ele. O número sete é mencionado 323 vezes na bíblia (dados copiados…eu não contei né?) e, em todas elas, refere-se a Deus e Suas obras de misericórdia e de juízo. O número sete é símbolo de Deus, de Seu poder e de Seu governo.

Já o número seis é mencionado 92 vezes na Bíblia. Em todas elas se relaciona com o homem, sua natureza, suas obras, sua herança e seu destino. Por exemplo: desde a criação, o ser humano deveria trabalhar seis dias. O sétimo era de Deus. A Bíblia diz que o homem foi criado no sexto dia, e a partir dali, o número seis foi sempre símbolo do homem, e se relaciona com sua imperfeição. O ser humano só seria perfeito relacionando-se com seu Criador, simbolizado pelo número sete.

Sete é o número perfeito. Pertence a Deus e, portanto, simboliza o ideal divino. Seis é símbolo daquilo que não alcança a divindade. É símbolo do homem. Aproxima-se do número sete, mas nunca poderá alcançá-lo. Existe um abismo enorme entre o homem – identificado com o número seis da imperfeição – e o seu Criador, identificado com o número sete, completo e perfeito. Esse simbologia é só mais uma prova do sentido metafórico que a Bíblia possui.

Agora e porque atribuído como número da besta? E mais, por que repetido (666)?

Ora, como enxergamos o Deus? Numa Santa Trindade? 3 poderes?
A interpretação que se retira do exposto até então é que a besta consiste na Igreja, e seu número (sua representação) é simbolizada por uma tentativa do homem se igualar à figura de Deus. Ou seja, o próprio sustentáculo basilar das religiões esconde mensagens que a rechaçam como instituição divina, informações das quais poucos religiosos tem notícia.

Política nível 1

janeiro 22, 2008

Encarem os fatos citados como atinentes à atualidade, já que este texto foi escrito há alguns meses.

Estamos cansados de nos deparar com opiniões tristes e negativistas a respeito do Brasil a nível de economia e política, tanto nacional quanto internacional. Qual o problema do Brasil?
Quem nunca se perguntou porque o Brasil não chega nunca em um nível de desenvolvimento razoável? Estamos sempre nos piores índices de desenvolvimento, em alguns ganhando apenas de países com menos de 1/10 do nosso potencial. Somos um exemplo vivo do fiasco histórico chamado de “democracia”. Um sistema de governo aonde quem, teoricamente, deveria governar é o povo, pois é ele quem elege os políticos.

Ou seja, a idéia central contemporânea seria: independentemente do partido político, o que faz um país ser grande é a união e o esforço do seu povo, que o constrói. O poder colocado nas mãos do povo. Dessa afirmação eu tiro, basicamente, duas perguntas, que considero fundamentais para a problematização do tema:

1. Encaramos o voto como exercício máximo do tal poder de governar. Sou só eu, ou alguém mais compartilha do meu pensamento ‘eu-não-me-sinto-nada-especial-teclando-na-urna-eletrônica’ ?

2. Você, no auge da qualidade de realista, entregaria o futuro governamental de um dos países mais promissores do mundo ao povo brasileiro (encarando o voto como representação de poder de governar…o que é uma piada, mas é o que existe como verdade no mundo atual)?

Sem querer entrar no mérito da necessidade de democracia, ou da substituição desta, o principal a se salientar sobre o assunto é o fato de que a prática do sistema de governo que adotamos não corresponde em nada com a teoria que nos é ensinada.

Nós elegemos políticos que transformaram o Brasil nesse puteiro? Alguém acredita que a culpa seja dos presidentes da República?

Só pra situar quem esteja lendo, existem algumas insanidades em nossa política e legislação que eu tenho certeza que o povo em si não escolheu, nem tampouco concorda. Em países de visão, a economia primária é vista como alicerce administrativo da nação, razão pela qual os governos se esforçam em subsidiá-la. Nestes países, o governo protege o mercado interno da entrada de economia secundária. Nestes países, a educação tecno-científica é valorizada ao extremo e aplicada em todos os setores. Ainda nestes países, são dados incentivos ao empresários, para garantir a geração de empregos, bem como se investe nas universidades biológicas para a constituição de um corpo forte na saude pública. Na parte dos impostos, estes não ultrapassam o que se poderia considerar como razoável para o suporte oferecido pelo governo.

Já no nosso querido Brasil, a economia primária é taxada, se cobram impostos incapazes de desestimulação ao consumo de produtos estrangeiros, mostrando subjugo à globalização no seu aspecto negativo. Ao invés de investimento na educação tecno-científica, gastamos nosso capital importando tecnologia, taxamos abusivamente os empregadores e os colocamos em posição inferior na relação empregado-empregador, obrigando os empresários a agirem marginalmente à lei, ou fora dela para livrarem-se dos encargos abusivos. Na saúde, teima em implantar o Sistema Único de Saúde em hospitais privados. Já nos impostos….bom, tá todo mundo careca de saber que o brasileiro trabalha, em média, 5 meses do ano só para o pagamento de impostos.

Aí nos perguntamos: meu, fazendo essa lambança toda, deve sobrar dinheiro pra caralho né? Então cadê a porra da grana mermão?

Ah sim, pra isso, basta entender uma última comparação: nos tais países de visão avançada e desenvolvimento notável, o maior salário a que um político pode alcançar é equivalente a 10 vezes o valor do salário mínimo vigente, enquanto no nosso Brasilzão já foram registrados casos de políticos(?) com salários equivalentes a 390 vezes o valor do salário mínimo da época.

Tá, esse quadro de safadeza não é nada de novo, eu sei. Enumerar problemas é fácil, mas ninguém sugere uma proposta de solução razoável ou concreta.

Não que isso mudasse o rumo do país, mas no ano passado, realizamos uma manifestação para receber atenção da mídia local, com o fim de expressar indignação contra a absolvição do Renan Calheiros naquela chafurdada…foi organizada por um professor universitário da Unisantos, com uma proposta de divulgar alguns pontos sobre a natureza constitucional do problema..eeeeee..adivinha quantas pessoas apareceram??
nem 200…..

Mas eu vi todo mundo xingando o Lula….ignorando o fato de que normas constitucionais são de hierarquia máxima…ou seja, o Lula não poderia fazer nada, de fato, uma vez que a maneira de julgamento é disposta na Carta Magna.

Claro que a idéia da manifestação não objetivava a reconsideração do julgamento, mas sim esclarecer o ocorrido, para que todos tenham mais noção do que deve ser combatido. Não tanto o poder Executivo.

Justamente por isso a segunda pergunta lá de cima: esse povo sabe o que faz? Sem a pretensão de ofender, muitos dos nossos seriam considerados incapazes, caso o exercício do poder de governar fosse analisado mais de perto, e exatamente por essa tal alienação sistemática que impera em nossa população, não se pode exigir tanto do voto como instituto de representação do tal poder do povo.

Apresentação.

janeiro 22, 2008

Vai, tô numa fase um tanto quanto sedentária da minha vida, e resolvi escrever….e meu, descobri há pouco tempo o quanto isso faz bem. E nunca é em vão, por mais irrelevante que possa parecer no começo.

Eu aconselho a todos que escrevam, sobre qualquer assunto, pois além de fortalecer o português (e só Deus sabe o quanto ele precisa de ajuda nos dias atuais), serve pra organizar suas idéias e pontos de vista.

Exatamente por isso criei esse espaço…um problema de memória que me aflige desde sempre, e principalmente desatenção em lidar com um tema específico. Escrever é uma terapia, e tem me ajudado muito a criar um senso crítico mais apurado, tornando o texto um foco para a compreensão do próprio posicionamento sobre o assunto. Muitas vezes você tem a conclusão tão arraigada subconscientemente, que esquece, ou ignora, o raciocínio que o levou a quedar-se dessa forma. Eu, particularmente acredito que esta preguiça mental seja uma verdadeira traição à nossa autenticidade, razão pela qual estou tentando superá-la, partindo dessa vez para a escrita.

O que não quer dizer que, só por este blog ter uma finalidade diversa, comentários não sejam bem vindos. Sinta-se à vontade para rebater, comentar ou complementar qualquer informação contida aqui, claro que dentro dos padrões de bom senso.